Há pedras sobre pedras E sob uma Pedra Uma mãozinha pequenina que repousa ali no chão. Olá, bonequinha de madeira! O vestido florido maltrapilho Insiste na elegância Escuta o grunhir dos ventos É o som da dança de salão. Teu corpo se desfaz em minha mão. Boneca, querida bonequinha Da menina que não a habita mais, Ainda há tempo de sonhar.
Quando chegar a primavera Irei ao teu encontro, assim Trazendo-te à final fronteira A flor carmen do meu jardim. As manchas que carregamos E curvam a nossa postura Que lavem-se em alívio Num cântaro de água pura. Quando vier a primavera Deixo atrás a escuridão Portando além do orvalho A flor que me traz em mãos. Meu choro em embaraço Repousa em teu tormento Encontra no seu abraço A paz deste aceso alento. Quando vier a primavera Que seja a memória inteira Portando-te, em espera Nossa flor carmen verdadeira.