Há vezes Não sei Porque palavra Deixa eu recomeçar. É uma memória de uma marca de batom Borrada na base da pilastra Erguida por pura convicção Uma paixão indecente E você, de vez em quando Surge aqui e me faz uma pergunta Sobre coisas que eu não sei responder! Tenho paixão E transbordo pelas letras Mas em muitas O gozo se vai Fica só sobrevivência. O que estou fazendo? Soltando estas palavras assim Em morta indecência? De que adianta e o que buscam? Um travesseiro para dormir melhor Sendo que nem mesmo sei Coser luvas para o inverno! E enquanto afoga tua garganta Teu batom se borra Na base da única lembrança escondida Desse amor que de tantas vezes Nunca deveria ter saído.
O silvo sorrateiro e silente Sacia o tufo alvo granuloso Ela chega, tímida, insegura Marulha o rumor curvo, sinuoso Vem pra me chamar, mas eu já estou aqui. Marulha para frente Marulha para trás Marulha em uma valsa Que antes que eu perceba Dissolve-se em mim em sal e paz. O pouso delicado Invade-me aos poucos Ou sou eu que o invado Já não sei mais dizer quem foi tocado. O beijo mar suave da manhã Acalma a onda tão revolta enfim E o branco mundo vasto que respira Aprende a viver e respirar sem mim. Cai, uma a uma, a casca que nos veste E leva para longe, ao limbo da memória Esquece quem nós somos Esquece, até mesmo nossa história. Só sobra assim Esse mar suave Silente e sutil Que silvo e sorrateiro Sobe nos meus pés E sorve o beijo derradeiro.