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Cantus Laetus

 I - Opus Dei


No princípio era tudo um abismo escuro


Deus deu ordem à desordem

E a ordem deu margem à desordem

E começou o que nunca começou, o que nunca terminou.


Ele não sabia

Ele sabia

Talvez Ele soubesse, teria esperado.



II - Opus Gisellae


No princípio tudo era um abismo escuro

Giselle não gostava disso...


Fez do escuro preto, cinza

Do cinza, foi o primeiro dia e o marrom

Do marrom fez um lilás e do lilás um doce Rosa, e aprendeu.

No Rosa se descobriu no vermelho, cresceu dez anos e 

                     [adormeceu.

Do vermelho fez o laranja e daí o alegre amarelo.

Do amarelo veio o verde, e aí parou.



III - Amiticia et diligentia dictorum


Transformou a enfermidade em esperança

Trasformou nossa desgraça em bela dança

Fez da existência uma dor mais colorida

Trouxe a arrogância à epigenesis da vida.


Por mais que o riacho corra dando adeus às suas águas

Deixando-me na alma uma sombra, triste mágoa

Por mais que as flores murchem mergulhando-me em tristeza

Desisto desta vida, dando à vida tua beleza.


Mesmo que um dia a terra me devore as entranhas

Monstrando que o universo é um eterno movimento

Fazendo-me aceitar a realidade do momento.


Registro nessas linhas toda a prova de meu zelo

Eternizando logo este puro sentimento

Tornando o que era dúvida em eterno casamento.

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