Pular para o conteúdo principal

Glênio e a Cadeira

Caro colega Glênio,

Eu gostaria de me desculpar pelo aparente incômodo, ainda mais quando você “tem“ uma mesa e está acostumado à uma mesma posição todos os dias. Das vezes que não retornei à posição inicial foi por desastroso esquecimento. Mas ali foi o único “cantinho” que consegui para tirar uma soneca no meu horário de janta. Trabalhar de madrugada é dose, eu durmo apenas de 4 a 6 horas por dia... ufa! Ainda tenho intenções de ir para o turno da manhã, porque dormir 4 horas de dia seria o equivalente a ter dormido apenas 2 horas durante à noite... Enfim...

A situação foi tão engraçada (para mim) que eu até fiz um poema pra mandar pra você =)


Sentado Sentido

Sento-me à cadeira reclinável
E reclino-me às inclinações apostróficas
Aposto como em cada cadeira
Reclina ainda mais ao desastre
De inclinar-se aos casos de catástrofe.
Reclino então de volta à sua origem
De originalidade inclinada à reclinar
Mas sem antes folgar em seu encosto
Que encosta o encosto encostado
E que reclama pelo encosto declinado.
Folga-me pelo cansaço inclinado
Da inclinação da minha vida
Vivo a reclinar reclamações
Pois sandice é viver de inclinações
E reclamar das sutis reclinações.
Inclina-te antes a se reclinar
E a não reclamar da minha reclinação
E mesmo nesse reclina e inclinar
Amizade futura eu não reclino
E inclino-me ao possível cultivar.

(09/06/2010)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

One For the Road

Estou em dúvidas entre Uísque e Conhaque sobre qual é a minha bebida favorita. Na época da faculdade todos os amigos tinham sua bebida favorita. O Márcio dizia "Licôr de Kiwi é o canal. Essa bebida é muito boa!", mas eu só não vomitei por educação. A Ana Paula odiava cerveja "porque dá barriga", e a Heloísa provocava dizendo que o que dá barriga é sair com todo mundo da turma. Ana Paula era uma cínica, e dizia que não entendia nunca esse comentário, mas entendia que cerveja não era com ela. Uísque tem uma variação de teor alcóolico que vai de 35% a 45%, isso sem contar o glamour pelo preço da garrafa. Quanto mais você está na camada da pobreza, mais facilmente você se enobrece e se enche de inimigos. Conhaque é a bebida de quem já chegou no fim da linha, mas há uma graça um tanto universitária na escolha da cachaça artesanal. Tivemos um amigo chamado Amendóim que morreu com menos de 30 anos por causa de bebida. Ele começou com a cerveja e terminou com a cachaça, mas...

Resignação

Nunca te abriram uma porta Só te trouxeram este tumor Quando pensava que colher flores Era um gesto válido de amor. Mas olha só pro que colheu Olha bem pro que tem em tuas mãos O que tolheu a vida inteira, já morreu E o solo onde pisa não é ramo, é chão Trouxeram-te um drink Está aí em cima Trouxeram-te até A tentativa tola de um verso fazer rima. Sim, te elogiaram os sapatos Ou até mesmo uma certa eloquência Mas é só, nada mais Só tem o chão que pisa com frequência. E agora que nada tem a entregar Senão a menção daquilo que te ilude Aquilo que o desejo leva na lombar Quando a cabeça deita e o descanso alude Agora, dizem, pare com as palavras Abandona toda tua vontade Desta rua segura que te lavra Larga para trás esta cidade. Este largo, que o perdido olhar Ante a tempestade sustenta e esfria Esta ilha que deixa a barca atracar Que traz no pensamento a fantasia. Ainda que orne a casa de ramagem E ainda que nutra na dor algum riso O que tem fora é luz que queima e que arde O que tem em ...

A Casa que nos Resta

Há um lugar Que quero sempre visitar. Que clama por mim Ou quem o clama sou eu? Um pedaço de chão Recôndito, recluso, difícil de encontrar. Esse lugar, simples lugar. Um pedaço de terra Um arbusto aqui, outro ali Salpicada como tempero E as flores que você plantou Para você colher. Esse lugar que se confunde Com o conforto cálido do ar E a maciez lívida do toque E o aroma doce do hálito Um lugar que afaga a inquietude Que transforma o solo que míngua Em um caudaloso açude. Há, que pareça sonho, um lugar assim Onde as vozes soam Como o primeiro pranto da aurora E as teias de luz que se desenham Para embalar o renascer. E lá chegando, deitaremos na grama Não sentiremos vergonha Nem da lágrima Nem da mágoa Nem da vontade de sorrir. Largaremos para trás O fardo venenoso da memória E faremos do presente momento Uma nova história. Lá, no lugar embrionário Teremos a plena certeza De que repousamos no olhar A nossa sincera natureza. Há algo assim, de Belo De extraordinário Há, no infinito dos ...