Pular para o conteúdo principal

O Lago Interior

Minha quietude
Orvalhada num vale de assombrações
Por onde até
O mais imponente dos seres
O alvo homem sentado ao chão
Franzindo o semblante destilador dos destinos
Enquanto deixa que as folhas caiam sobre si
Não impressionam tão ou mais
Que a mais exposta arquitetura.

Meu mistério
Mais fundo, oculto.
Um caminho só.
Na trilha tortuosa do
Além do Bem e do Mal
Descobre-se um ser de mim
Colhendo pedras pelo chão
Enquanto possuo o dom de saber
Que não se transformam em pão.

Numa feira livre tudo se vende
O homem das alfaces
Ao homem da Pera
Numa feira livre.
O mistério, mais fundo, oculto
Está comigo
Meu reflexo no lago interior
Distorcido, mal visto, mal mal inacabado,
Está vendido.

Um torpor imaculado
Uma nesga de boa aceitação...
Quando mais, o que de verdade está
Nos olhos das gentes da feira livre
É o que está nos meus olhos.

Enquanto me importa se sou mais ou menos
Alfaces e peras são vendidas.
Enquanto colho pedras para mim
Alfaces e peras são colhidas.
Enquanto nego a cortesia
O velho sábio serve-se das frutas.

Enquanto morro vivendo
Vivem, mesmo morrendo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

One For the Road

Estou em dúvidas entre Uísque e Conhaque sobre qual é a minha bebida favorita. Na época da faculdade todos os amigos tinham sua bebida favorita. O Márcio dizia "Licôr de Kiwi é o canal. Essa bebida é muito boa!", mas eu só não vomitei por educação. A Ana Paula odiava cerveja "porque dá barriga", e a Heloísa provocava dizendo que o que dá barriga é sair com todo mundo da turma. Ana Paula era uma cínica, e dizia que não entendia nunca esse comentário, mas entendia que cerveja não era com ela. Uísque tem uma variação de teor alcóolico que vai de 35% a 45%, isso sem contar o glamour pelo preço da garrafa. Quanto mais você está na camada da pobreza, mais facilmente você se enobrece e se enche de inimigos. Conhaque é a bebida de quem já chegou no fim da linha, mas há uma graça um tanto universitária na escolha da cachaça artesanal. Tivemos um amigo chamado Amendóim que morreu com menos de 30 anos por causa de bebida. Ele começou com a cerveja e terminou com a cachaça, mas...

Saudade de Mim

Não me deixe sumir Nas águas sombrias Das memórias angustiadas Estou aqui Com meu corpo e minha alma Seu corpo e sua alma E seu coração em deságua. No abismo traiçoeiro e soturno Não me deixe sumir No labirinto do exílio noturno. Me ame Enquanto ainda não enlouqueci Por enquanto lembro Terei também recordação Na minha tenra infância Do primeiro toque de amor na minha mão Me ame Para que eu eu volte para casa Para que não me esqueça de mim Não me deixe sumir assim.

Salila-Laya सलिल लय

O silvo sorrateiro e silente Sacia o tufo alvo granuloso Ela chega, tímida, insegura Marulha o rumor curvo, sinuoso Vem pra me chamar, mas eu já estou aqui. Marulha para frente Marulha para trás Marulha em uma valsa Que antes que eu perceba Dissolve-se em mim em sal e paz. O pouso delicado Invade-me aos poucos Ou sou eu que o invado Já não sei mais dizer quem foi tocado. O beijo mar suave da manhã Acalma a onda tão revolta enfim E o branco mundo vasto que respira Aprende a viver e respirar sem mim. Cai, uma a uma, a casca que nos veste E leva para longe, ao limbo da memória Esquece quem nós somos Esquece, até mesmo nossa história. Só sobra assim Esse mar suave Silente e sutil Que silvo e sorrateiro Sobe em meus pés, eu vejo E sorve, delicado,  O derradeiro beijo.