Pular para o conteúdo principal

Liebegeist

Romeu e Julieta separados pelo tempo
E nos encontramos
No passado, no futuro
No pensamento e no sonho

E é no sonho,
Neste sonho perfeito
Onde me perco, me encontro
E nesse sonho onde eu reencontro,
Como o direito de todo ser,
O ser direito.

Não fale palavras,
Elas não parecem certas ou precisas
(Ou necessárias).
Também não tenho palavras
Nem direções para nada que preciso
Porque não são certas
Ou necessárias

Agora abrace-me forte
E pare o tempo, junto comigo
E segure minha mão, firme
E deite-se aqui
Durma aqui e abrace esta paz
Enquanto te observo e sou feliz por agora.

Agora é o que existe
Não o próximo passo, não o segundo seguinte
Apenas o ar após ar
Te vejo, envelhecendo cada célula, e cada cacho de cabelo
E te vejo, cada cristalina vida, se esvaindo
Perguntas, como o relógio da vida

A pergunta é o que não cala
"O que é? O que será? O que pode ser?"
Deixa a resposta pra lá, ela vem
Ela nos espera, lá na frente, lá adiante
Enquanto formulamos nosso raciocínio
A resposta nos aguarda ali, mas deixa.

Sou capaz de amar a uma planta ou a um animal
Sou também capaz de te amar e te cuidar
E te dar carinho e te dar paz
E te ver dormir,
(Oh vida, como quero te ver dormir!)
Não sou capaz de dar explicações
Não temos que dar explicações
Não explico o momento, a todo momento
Separados por esta cruel obrigação
Esta vil desnecessidade
Esta insolúvel causa do não viver
Deste papel a cumprir
Desta vida a cumprir, e que não se cumpre nunca jamais
E nem nunca se cumprirá, nem jamais
Não somos vítimas da arquibancada
Ou escravos da observação
Somos atores, viventes
Não somos fantoches do mero existir
Somos amantes do pleno
Do exato, agora
Não existimos, somos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

One For the Road

Estou em dúvidas entre Uísque e Conhaque sobre qual é a minha bebida favorita. Na época da faculdade todos os amigos tinham sua bebida favorita. O Márcio dizia "Licôr de Kiwi é o canal. Essa bebida é muito boa!", mas eu só não vomitei por educação. A Ana Paula odiava cerveja "porque dá barriga", e a Heloísa provocava dizendo que o que dá barriga é sair com todo mundo da turma. Ana Paula era uma cínica, e dizia que não entendia nunca esse comentário, mas entendia que cerveja não era com ela. Uísque tem uma variação de teor alcóolico que vai de 35% a 45%, isso sem contar o glamour pelo preço da garrafa. Quanto mais você está na camada da pobreza, mais facilmente você se enobrece e se enche de inimigos. Conhaque é a bebida de quem já chegou no fim da linha, mas há uma graça um tanto universitária na escolha da cachaça artesanal. Tivemos um amigo chamado Amendóim que morreu com menos de 30 anos por causa de bebida. Ele começou com a cerveja e terminou com a cachaça, mas...

Saudade de Mim

Não me deixe sumir Nas águas sombrias Das memórias angustiadas Estou aqui Com meu corpo e minha alma Seu corpo e sua alma E seu coração em deságua. No abismo traiçoeiro e soturno Não me deixe sumir No labirinto do exílio noturno. Me ame Enquanto ainda não enlouqueci Por enquanto lembro Terei também recordação Na minha tenra infância Do primeiro toque de amor na minha mão Me ame Para que eu eu volte para casa Para que não me esqueça de mim Não me deixe sumir assim.

A Casa que nos Resta

Há um lugar Que quero sempre visitar. Que clama por mim Ou quem o clama sou eu? Um pedaço de chão Recôndito, recluso, difícil de encontrar. Esse lugar, simples lugar. Um pedaço de terra Um arbusto aqui, outro ali Salpicada como tempero E as flores que você plantou Para você colher. Esse lugar que se confunde Com o conforto cálido do ar E a maciez lívida do toque E o aroma doce do hálito Um lugar que afaga a inquietude Que transforma o solo que míngua Em um caudaloso açude. Há, que pareça sonho, um lugar assim Onde as vozes soam Como o primeiro pranto da aurora E as teias de luz que se desenham Para embalar o renascer. E lá chegando, deitaremos na grama Não sentiremos vergonha Nem da lágrima Nem da mágoa Nem da vontade de sorrir. Largaremos para trás O fardo venenoso da memória E faremos do presente momento Uma nova história. Lá, no lugar embrionário Teremos a plena certeza De que repousamos no olhar A nossa sincera natureza. Há algo assim, de Belo De extraordinário Há, no infinito dos ...