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Alma

Versão: 2014

Alma
Obscura entidade
Profunda caverna da leviana crueldade
E que tudo dentro de mim habita

Alma infringida
Corruptela da esfinge
Finge que me existe
Quando vale mais simples deitar-se na praia
E ser levado pela onda do vazio.

Alma de obscuridade
Alma torpe e frívola
Saliente na incerteza
O que te sobra além de uma vazia opinião?

Sua beleza no espelho
Sua beleza na rua
Sua insistente beleza em qualquer lugar
Não ultrapassa além do instante
Por que apostar tudo no restante
Momento que te sobra do vaguear incessante?

Na falta de um motivo uma religião
Na falta de objetivo, uma nova intenção
Mas olhe em volta amigo
Você está sozinho
Como só está a presa do Leão.

Meu apartamento
Vazio e triste
Como a vida de um elevador
Sombrio como a falta do que viver
Olho tudo daqui de cima
Mas não estou acima de nada
Elevador
Vazio e triste
Como um abandonado acampamento em riste

Cada alma silenciosa
É uma alma preste à ebulição
Cada olhar silencioso
É um epílogo a uma pronta destruição

Vê aquela mulher em prantos ali no chão
Você que passa e abusa e esquece
Da sua tão podre composição
Veja com seu olho morto aquela situação
Ela é a vítima da sua condição
Ela é a consequência
Da sua causa de exibição.

Ela carrega um filho?
Marcas de traição?
Uma dor sujeitada e merecida?
A memória de incontáveis amantes no meio das pernas?
A suja ideia de redenção?
O orgulho de quem prefere se destruir sozinha?
Ou simplesmente uma mulher sentada
Numa esquina como tantas esquinas
Chorando por algo que não está em suas mãos?

Escuto um grito no número do lado
Pode ser um grito de medo e horror
Pode ser um gemido histérico de tesão
Não importa, nada me tira daqui
Nada me move e me silencia

Só mais um passo, nessas horas a gente pensa
Levanta, força, continua, segue, seca a lágrima, respira fundo, olha pra frente, ergue a cabeça
Por que?
Porque não diminuir todo esse tormento com o último beijo, o último sopro
A última brisa cujo medo é pura dor, e só.
O abraço e o beijo mais seguros
E nesse vale não haverá tristeza, nem doença
Porque a senhora é conosco.
E nem alívio ou alegria
Não haverá nada.
Só um alvoroço de gritos
Um de dor, outro de rebelião
Muitos de protestos e acusação.
E aqui não pedimos para vir.
Viemos, seguimos. Seguiremos.

Se hoje afirmo o quanto amo
E amanhã sigo detestando
É o acaso, a eternidade jogada me dados
É a afirmação de momento, a negação do medo.

Liberdade de alma
A mais antiga das fantasias.
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Edit: 2026

Alma
Obscura entidade
Profunda caverna da leviana crueldade
E que tudo dentro de mim habita

Alma infringida
Corruptela da esfinge
Finge que me existe
Quando vale mais simples deitar-se na praia
E ser levado pela onda do vazio.

Alma de obscuridade
Alma torpe e frívola
Saliente na incerteza
O que te sobra além de uma vazia opinião?

Sua beleza no espelho
Sua beleza na rua
Sua insistente beleza em qualquer lugar
Não ultrapassa além do instante
Por que apostar tudo no restante
Momento que te sobra do vaguear incessante?

Na falta de um motivo uma religião
Na falta de objetivo, uma nova intenção
Mas olhe em volta amigo
Você está sozinho
Como só está a presa do Leão.

Meu apartamento
Vazio e triste
Como a vida de um elevador
Sombrio como a falta do que viver
Olho tudo daqui de cima
Mas não estou acima de nada
Elevador
Vazio e triste
Como um abandonado acampamento em riste

Cada alma silenciosa
É uma alma preste à ebulição
Cada olhar silencioso
É um epílogo a uma pronta destruição

Vê aquela mulher em prantos ali no chão
Você que passa e abusa e esquece
Da sua tão podre composição
Veja com seu olho morto aquela situação
Ela é a vítima da sua condição
Ela é a consequência
Da sua causa de exibição.

Ela carrega um filho?
Marcas de traição?
Uma dor sujeitada e merecida?
A memória das pernas trêmulas e dos incontáveis amantes?
A suja ideia de redenção?
O orgulho de quem prefere se destruir sozinha?
Ou simplesmente uma mulher sentada
Numa esquina como tantas esquinas
Chorando por algo que não está em suas mãos?

Escuto um grito no número do lado
Pode ser um grito de medo e horror
Pode ser um gemido histérico de tesão
Não importa, nada me tira daqui
Nada me move e me silencia

Só mais um passo, nessas horas a gente pensa
Levanta, força, continua, segue, seca a lágrima, respira fundo, olha pra frente, ergue a cabeça
Por que?
Toma essa corda
Veja aquela viga
Salta ao doce epílogo desta peça
O baque surdo será o único aplauso!
Salta daí de cima e abraça com vontade!
A última brisa cujo medo é pura dor, e só.
O abraço e o beijo mais seguros
E nesse vale não haverá tristeza, nem doença
Porque a senhora é conosco.
E nem alívio ou alegria
Não haverá nada.
Só um alvoroço de gritos
Um de dor, outro de rebelião
Muitos de protestos e acusação.
E aqui não pedimos para vir.
Viemos, seguimos. Seguiremos.

Se hoje afirmo o quanto amo
E amanhã sigo detestando
A eternidade joga-me seus dados
E diz do agora, da negação, e do medo.

Emancipa alma
Tua mais tenra fantasia.

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