Pular para o conteúdo principal

Perdão

Desejo a todos aqueles quem um dia desiludi
Que encontrem um verdadeiro novo amor
Ainda que dentro de si mesmos
Ainda que na passagem do vendedor de rua
Ou no bom dia da vizinha que parece sempre estar ali

Desejo que haja cura
Para as mágoas que causei
Desejo que haja menos sofrimento
Numa lembrança que não quis deixar

Que não haja mais para nada dos erros
Uma palavra que sepulte a tudo
Que não se ponha numa lápide
Para que aquilo não seja o resumo
Do tanto que se pode viver
No breve sopro da existência

Desejo uma cura para os males que deixei
Quando em momentos de desespero
Achei estar fazendo o bem
Mesmo que para mim mesmo

Desejo ser visto ao menos como um ser
Que jamais desejou o maltratar
Apenas que entendam que sou um humano menor
Tentando entender o que é viver
Tentando saber o que é amar.
-------------------------------------------------------------

Aos corações que eu machuquei, das capitais aos litorais, perdão.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Chamas de Yemanjá

Almíscara penumbra O ar que pesa em febre As sedas ardem chamas Verte-me a maré da criação. Recebo em exortação As faíscas que te explodem sob a pele  Cubram-me, estrelas cadentes. Ergo-te minha aberta taça Largo anseio a coletar Neste cristalino cálice As pérolas de deleite mar. Perfeita ondulação Com um arqueio para trás Transmuto em Eva Rosa aberta das Mil Noites Das mil insaciáveis noites! Sem medida. Deixe que caiam Que cerquem-nos as brumas Banham a alma o noturno orvalho Ouça este canto É a beleza do profano hinário. Neste sonho vivo Altivez de devoção cutânea  Rito ao lúgubre exorcismo  Governa e acata simultânea. Sorve dominada a benta água Aceita a nativa incumbência  A viva e infinita exultação. Quente e pesada Cai a noite Salto na cidade inteira Soltas rubras copas Sem medo Reflexo brilhante das estrelas Embebe o lacre dos segredos. Quente e pesada Em açoite Salta a cidade inteira Um, dois, três, quatro Brindem ao pórtico Abraçados às cortinas Rasguem o m...

Dez Mil Dias

Certo dia foi assim Peguei o ônibus Sentei na calçada fria Esperei falarem comigo Deixei a mão suspensa, em vão E em um gole, matei minha sede Para no segundo seguinte Você não estar mais aqui.  E soube certa vez Que não estava mais aqui Às vezes Quem não está Parece nunca ter partido. Te via na luz Te via no amanhecer Te via Te vejo Na minha vontade de morrer. Tua voz que parei de ouvir Ainda soa para mim. O teu perfume de ternura Sinto em todo lugar O teu semblante de aurora Vejo-o nas pontas dos dedos. E sobreponha a  eternidade Entre o que plantou em mim E o fim do mundo E você ainda estará aqui. É assim mesmo. Porque  Ante a catástrofe  A confusão A existência O desamor e a desilusão A tristeza e o rancor As mágoas e a reclusão Três palavras Cinco sílabas A minha incapacidade humana de decifrar A dissolução da minha angústia: Eu amo você. 📿📿📿📿📿📿📿📿📿📿📿📿📿📿📿 Tudo isso começou no dia 06 de Maio de 1998.

Sísifo no Divã

Árvores sombra água fresca Frutos suculentos ao pé do monte Pé ante pé força a perna Sobe, sua, ofega Pausa só no cume Após as nuvens Após o sol Após, até mesmo, das estrelas Lá no topo resta ar Respiro fundo a minha conquista Mas que lástima! Árvores, sombra, água fresca Frutos, ressecando ao pé do monte. De volta ao sopé. Pé, ante pé força a perna Galhos ossos, cascalho Até que, a asa do espectro Pesa ferida sobre a janela No batente que mira o monte. Mas que lástima. Árvores, sombra, água fresca Frutos, caídos, pelo chão. Pérolas, rolando, pelo rosto Vidros, quebrados. Mas. Galho, escuro, sede. Pé.