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Elogio do Elogio

Envolto-me na insossa chama do sublime verso
Insossa por presente mazela incompreendida
Sublime pelo indigno empréstimo

Desta ainda que tardia sublimação
Não merecida, revogada ou incumbida
Ausente de razão, clamo.

Donde vem os seres sem estima?
Onde estão os seres de virtude?

Estão em si mesmos perdidos e iludidos
Na conquista de uma perene fama?
Retornamos aos tempos do frenético niilismo?
Da estúpida e anônima culpa de Goethe
Quando queda uma vida pela inútil ambição
De ter gravado o seu nome
Nos tortos e disformes corredores da história?
Na notabilidade em que cada resto de alimento repara ter em si
Um nome de importância.

A virtude na virtude dos homens tortos.
O panegírico do panegírico
Inflamação de elogios e pleonasmos
Chama que não queima
Água que não sacia
Paixão que não se agita.

Dai-me a sutil beleza do silêncio
Prometo que devolvo-te a maçã
Ou o fruto do Éden
Pois saber o que não se sabia
Soube-se menos cada vez mais.

Quanto mais se parece
Que o espaço se descoberta
Mais espaço se descoberta
Aqui dentro
Vida e morte que se confundem
Em uma inflexão de números
E agitos do espairecer

Enquanto todos falam
Calar-se é um ato de rebeldia.


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