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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Por que não só dizer "tchau"?

Recentemente, o Planet Hemp fez, supostamente, o seu último show, no dia 13 de dezembro de 2025, para ser mais exato. A cultura musical agora trata a turnê de despedida como seu mais novo produto. Depois da saturação da nostalgia, tornou-se necessária a fabricação de uma nova moeda comercial. O que aconteceu com simplesmente dizer “acabou”? Há algo de profundamente autoindulgente na ideia de que é necessário um grande último show antes de baixar a cortina para sempre. A justificativa é sempre a mesma, o público merece, o público quer. Mas vejamos bem. Se considerarmos que o Planet Hemp já fazia shows pequenos, em circuitos cada vez mais de nicho, e que não era mais a banda de hits dos anos 90, por que alguém sentiria falta? Ao se mencionar que a banda faria seu último show, a reação mais comum era ouvir pessoas dizendo que não faziam ideia de que o Planet Hemp ainda existia, ou que achavam que a banda tinha acabado quando Marcelo D2 saiu. Em outra esfera, temos o Scorpions, há quase de...

Ponto de Chave

Ou é vontade de morrer Ou pode ser só a gravata Uma vermelha que combina com o matrimônio Uma verde, ou uma nata, que tem lá seu senso de humor. Ou pode ser, e isso quase ninguém percebe A pressa de quem espera um ônibus Destes que atrasam além do esperado Enquanto o itinerário passa três ou mais vezes Da linha que está do lado. Sempre quando é a minha vez! Ou pode ser uma chuva fora de hora Ou calor na estação errada Pode ser aquela memória presa Que de repente vem raspar o sentimento Até deixar em carne viva E virar depois um ferimento. Pode ser só, quem sabe, um passo a mais Erra a rua Entra na loja nova E a vida segue, mesmo assim. Aqui pode ter a gravata da cor que quero. Ou pode ser só assim mesmo: Dez anos atrás Quando pisava aqui todos os dias Este edifício estava Dez anos atrás Hoje já não está mais. Então pode ser só isso De nunca ver, nunca mesmo Duas nuvens com formato igual E quem para pra memorizar estas coisas? Pra guardar aquilo que todo mundo diz Esquece isso Você só e...

O Dia da Flor

Os primeiros livros que eu comprei, por escolha minha, foram O Senhor dos Anéis e A Sociedade do Anel, de JRR Tolkien, Os Maias de Eça de Queiroz, A Hora da Estrela de Clarice Lispector, Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e enfim, Libertinagem, de Manuel Bandeira. Foi assim que eu comecei a minha biblioteca, com estes livros que misturam escolhas pessoais e indicações de professores do cursinho. Não os comprei todos de uma vez. O Senhor dos Anéis eu tinha treze anos. Foi a fuga pra uma cura pessoal, e eu só sei que foi fuga hoje, depois de adulto. Na infância a gente ainda não confunde tanto a fantasia com o escapismo. Hoje, era necessário. Os outros foram todos de uma só vez, aos 17 anos, em uma feira de livros que aconteceu no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo, em 2003. Eu nunca tinha ido sozinho na CCSP, e nunca tinha ido numa feira. Eu estava com amigos do Cursinho da Poli, e eu nunca tinha saído com amigos para nada tão interessante antes. Eu ...

Dezoito Anos

Derramou sobre o meu corpo A chama fulgurosa do teu ser Vejo tuas sensações em toda parte Que parte sempre em mim para viver. Amo, sim, sem medo, sem dor Amo, sendo assim, um sussurro silencioso. Cavo a terra, planto uma semente Nasça, rosa da paixão! Nasça em chamas! Espalha essa noticia esplêndida À próxima geração! Te vejo no céu e na terra E no primeiro brilho da manhã. Te vejo no olhar curioso da infância, E na sabedoria derradeira da vida. Eu te vejo no meu seio E na extensa jornada da avenida. E nada existe sem que eu pense em você Nada vive de verdade, sem que isto me recorde O instante que tem sempre tua presença A canção origem deste acorde. E em mim, eu te encontro Como encontro o ar que eu respiro E a vida ora estranha Que a tua memória impregnada em mim Faz continuar.