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Breno o Papagaio

Droga de poeta
Poeta meia boca da seis e meia
O sol nasce quadrado mas não no cárcere
O sol desce quadrado
Tudo é quadrado demais pra essa hora

A cerveja enfervece no copo
Estala na garganta
É seis e meia de um calor seco
Quando os cretinos botam fogo em suas tranqueiras
Tentando queimar o que ficou para trás

Somos todos desgraçados nessa seis e meia
De sexta feira de fim de semana
É o fim quando pretendo esquecer
Que ontem pularam o muro
E anteontem quebraram a vidraça
E desde o mês passado uma aranhainha discreta
       [me faz companhia debaixo da pia

Guti guti faz a gota da minha torneira
Tic tac eu ouço o relógio
Longe aqui do lado os sucessos da rádio popular
O vento mal se move com os transeuntes
Tudo isso tem cara de uma eternidade desgostosa
E tem cheiro de queimado nas minhas roupas no varal.

A batida do funk soa um blues lamentoso, sem gaita nem violão
Quando foi que Jacqueline passou por aqui?
Eram seis e dez
Sempre assim
Segunda feira a sexta oito horas quatro horas seis e dez meia noite
Canta o Breno, o Papagaio
Ela circula o quarteirão por quatorze vezes
E quando gasta a meia de algodão desce para comprar outra
Dorme e sonha com seu castelo de algodão
Pra dar mais quatorze voltas no quarteirão.

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