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Madre Pérola (4)

Você minha guia

Minha luz

Você que com a curva etérea

Da fronte mais divina

Me conduz


Eu sei que em algum lugar

Deste mundo repleto

De alegrias tardias

Deste mundo que pede sofrimento

Em troca de um alívio de momento

Eu imagino, com a força do coração

Que há uma flor transcendental

Uma pedra opaca, rara e lustrosa.

Que você enterrou com a própria mão

E lava-me o ilusório bem e mal.


E quando a carga torna-se mais dura

Mais árdua, mais pesada

Quando o peito arde em amargura

Eu sei, minha guia, que aí estás

Mesmo sem estar

Mesmo que tua matéria seja agora

Parte desta natureza

Que tenha caído no rio

Ou esteja esquecida sob a mesa

Que basta fechar os olhos

Lembrar dos sons trazidos de outro tempo

Quando a inocência ainda persistia

Quando você olhava para mim

Com seus olhos de amor e me dizia:


Ame, amigo, ame.

Ame todo dia.

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