O silvo sorrateiro e silente
Sacia o tufo alvo granuloso
Ela chega, tímida, insegura
Marulha o rumor curvo, sinuoso
Vem pra me chamar, mas eu já estou aqui.
Marulha para frente
Marulha para trás
Marulha em uma valsa
Que antes que eu perceba
Dissolve-se em mim em sal e paz.
O pouso delicado
Invade-me aos poucos
Ou sou eu que o invado
Já não sei mais dizer quem foi tocado.
O beijo mar suave da manhã
Acalma a onda tão revolta enfim
E o branco mundo vasto que respira
Aprende a respirar sem mim.
Cai, uma a uma, a casca que nos veste
E leva para longe, ao limbo da memória
Esquece quem nós somos
Esquece, até mesmo nossa história.
Só sobra assim
Esse mar suave
Silente e sutil
Que silvo e sorrateiro
Sobe nos meus pés
E sorve o beijo derradeiro.
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