Pular para o conteúdo principal

O Meu Eterno Amanhecer

Paixão paixão... resistiu ao tempo. Possivelmente. É difícil falar desse tema tão delicado entende? Você entende. Foram tantas reviravoltas, tantas idas e vindas, tantas! Pois sabemos. Procuramos o que? Procuramos pelo que? Procuramos por quem? Pensar em você era quase regra, quase porque eu também pensava na minha vida, nas minhas coisas, pensava na minha dor. Como era doloroso, como doía meu Deus! Doía pra cacete!

Tentava não me perder entre as páginas de um livro e de outro livro, e entre as pernas de uma e outra imaginação pendente. Pois é, era difícil imaginar. Eternamente amanhecendo com uma lembrança, com um desejo, com uma esperança das coisas acontecendo, duas vidas tão distantes, paralelas, para elas, vivenciando as coisas como se fossem ondas nos levando, sem pensar, sem oferecer resistência, sem esperar que algo nos parasse, mas sabendo no fundo que não era bem assim. Não era bem assim. Eu prefiro não pensar, não é pra pensar, é complicado, é estranho, é difícil, não era pra pensar. Sentir. Nestas horas a filosofia enlouquece, não faz sentido. Sento na poltrona pra ver o sol sumir da minha vista, e a noite me abraça como um menino perdido e só, mas você estava ali, sempre, na lembrança, no desejo, na esperança. E foi, o que não era pra ser, foi, está sendo. O menino sorriu, o coração está feliz.



Meu eterno amanhecer


Mãos hábeis que preparam a janta
Manejam as especiarias artesanalmente
Enquanto lembro que em tempos brancos
Mal manejavam as mãos do adolescente.


A lembrança é eterno fruto
E se um dia a alma apodrecer
No coração jamais haverá luto
A vontade viva amadurece
O perfume de alecrim,
Ninguém esquece.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

One For the Road

Estou em dúvidas entre Uísque e Conhaque sobre qual é a minha bebida favorita. Na época da faculdade todos os amigos tinham sua bebida favorita. O Márcio dizia "Licôr de Kiwi é o canal. Essa bebida é muito boa!", mas eu só não vomitei por educação. A Ana Paula odiava cerveja "porque dá barriga", e a Heloísa provocava dizendo que o que dá barriga é sair com todo mundo da turma. Ana Paula era uma cínica, e dizia que não entendia nunca esse comentário, mas entendia que cerveja não era com ela. Uísque tem uma variação de teor alcóolico que vai de 35% a 45%, isso sem contar o glamour pelo preço da garrafa. Quanto mais você está na camada da pobreza, mais facilmente você se enobrece e se enche de inimigos. Conhaque é a bebida de quem já chegou no fim da linha, mas há uma graça um tanto universitária na escolha da cachaça artesanal. Tivemos um amigo chamado Amendóim que morreu com menos de 30 anos por causa de bebida. Ele começou com a cerveja e terminou com a cachaça, mas...

Saudade de Mim

Não me deixe sumir Nas águas sombrias Das memórias angustiadas Estou aqui Com meu corpo e minha alma Seu corpo e sua alma E seu coração em deságua. No abismo traiçoeiro e soturno Não me deixe sumir No labirinto do exílio noturno. Me ame Enquanto ainda não enlouqueci Por enquanto lembro Terei também recordação Na minha tenra infância Do primeiro toque de amor na minha mão Me ame Para que eu eu volte para casa Para que não me esqueça de mim Não me deixe sumir assim.

Salila-Laya सलिल लय

O silvo sorrateiro e silente Sacia o tufo alvo granuloso Ela chega, tímida, insegura Marulha o rumor curvo, sinuoso Vem pra me chamar, mas eu já estou aqui. Marulha para frente Marulha para trás Marulha em uma valsa Que antes que eu perceba Dissolve-se em mim em sal e paz. O pouso delicado Invade-me aos poucos Ou sou eu que o invado Já não sei mais dizer quem foi tocado. O beijo mar suave da manhã Acalma a onda tão revolta enfim E o branco mundo vasto que respira Aprende a viver e respirar sem mim. Cai, uma a uma, a casca que nos veste E leva para longe, ao limbo da memória Esquece quem nós somos Esquece, até mesmo nossa história. Só sobra assim Esse mar suave Silente e sutil Que silvo e sorrateiro Sobe em meus pés, eu vejo E sorve, delicado,  O derradeiro beijo.