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Jardineiro Infiel

E ali está.
Pende para um lado com o vento que bate,
Murcha, quase morta, seca como a terra,
Áspera como a mão idosa do sábio,
Que não sabe de nada.

Ali está
Na espera
Na demora
Na lentidão das horas
(Que nunca passam).

Um jardineiro infiel
Plantou a semente com tanta precisão
Cavou fundo fundo, com cuidados expressos
E fugiu para não viver mais sua solidão,
Partiu em dois sua visão.

Ali está,
Pende para um lado e para o outro
Largada com desprezo insólito
Para o vento que bate e nunca cessa.
A flor tratada com pressa.

Que não sabe se morre
Que não sabe se espera.
E enquanto espera, escorre...

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